Brincar é Coisa Séria: Está a Subestimar o Poder do Brinquedo do Seu Filho?

A verdade é que a maioria de nós olha para os brinquedos dos filhos e vê apenas isso: brinquedos. Objetos para entreter, para ocupar, para ganhar algum tempo. Mas se eu lhe disser que, aos olhos da ciência, um brinquedo educativo é tão importante para o desenvolvimento do seu filho como uma alimentação equilibrada? Pois é. E há décadas que a psicologia o prova.

 O que dizem os especialistas?

Comecemos por Jean Piaget, o psicólogo suíço que revolucionou a forma como entendemos as crianças. Piaget mostrou que os mais pequenos não são "adultos em miniatura", constroem o conhecimento ativamente, etapa a etapa. Nos primeiros anos, a criança está no estágio sensório-motor (0-2 anos): precisa de tocar, de sentir texturas, de explorar com o corpo. Depois, no estágio pré-operatório (2-7 anos), entra no reino do "faz de conta", do pensamento simbólico, onde uma caixa de cartão pode ser um foguetão e uma boneca pode ser uma amiga. O brinquedo certo, em cada uma destas fases, não é um mimo, é uma ferramenta de construção do pensamento.

Depois, há Lev Vygotsky, o psicólogo bielorrusso que nos ensinou que a criança se desenvolve, acima de tudo, na relação com os outros. Vygotsky introduziu um conceito que devia estar na cabeça de todos os educadores: a zona de desenvolvimento proximal. Traduzindo: há coisas que a criança já faz sozinha, e há coisas que só consegue fazer com a ajuda de alguém mais experiente (um pai, um amigo mais velho, ...). O brinquedo educativo atua precisamente nessa zona. Quando brincam juntos, quando resolvem um puzzle com a sua ajuda, estão a criar as condições para que o cérebro do seu filho dê um salto qualitativo.

E não é só teoria. Investigações recentes confirmam que o brincar promove habilidades cognitivas, sociais e emocionais que vão acompanhar a criança para a vida. Um brinquedo bem escolhido estimula a imaginação, a criatividade, a capacidade de resolver problemas e até a sociabilidade.

 A minha dica

É fácil cair na tentação do brinquedo que promete ser "milagroso" ou do ecrã que dá sossego durante uma hora. Mas acredite: o melhor brinquedo educativo não é o mais caro, nem o que tem mais luzes e botões. É aquele que desafia o seu filho a ir um pouco mais além, e que, ao mesmo tempo, o convida a estar presente.

Da próxima vez que oferecer um brinquedo ao seu filho, não o deixe sozinho com ele. Sente-se ao lado. Observe como ele reage ao desafio. Ajude-o apenas na medida certa, aquela em que ele sente que foi ele quem conseguiu. Esse momento em que ele olha para si e diz "consegui!" é o verdadeiro milagre da aprendizagem. E, acredite, não há ecrã nenhum que substitua essa conquista partilhada.